× Capa Meu Diário Textos Áudios E-books Fotos Perfil Livros à Venda Livro de Visitas Contato Links
Anderson Horizonte
"Não é o que você acredita. É o que você faz!"
Textos
*imagem do google

A CASA DE VIDRO – PARTE I (PÉ NA ESTRADA)

Sinopse
As amigas: Carla, Eduarda e Amanda, alugaram uma casa no limite de município de São Bernardo do Campo - SP com Cubatão – SP, para passar o final de semana - queriam relaxar da tensa semana de provas que tiveram.
As fotos no anúncio ‘vendiam' um paraíso, mesmo naquele lugar remoto; um lago, jardim bem florido, silêncio, tranquilidade, natureza e ela... A casa de vidro! Tudo ia muito bem até que um bando – mascarado - decide se juntar aos hospedes da casa, tentando invadi-la a todo custo, então... lutar pela vida passou a ser a nova prioridade do grupo de amigas.
Elas voltarão para casa vivas?
A casa de vidro resistirá às ‘insanas’ investidas do bando mascarado?

O conto A CASA DE VIDRO foi dividido em 3 partes:

A CASA DE VIDRO – PARTE I (PÉ NA ESTRADA)
A CASA DE VIDRO – PARTE II (VISITA INDESEJADA)
A CASA DE VIDRO – FINAL (VERMELHO ESCARLATE)

Sendo publicada uma parte por semana:
Sexta-feira 24/07/2020
Sexta-feira 31/07/2020
Sexta-feira 07/08/2020



CONTO: A CASA DE VIDRO – PARTE I (PÉ NA ESTRADA)

Limite de município São Bernardo do Campo - SP / Cubatão - SP

A região era praticamente inóspita, só havendo mata, mesmo estando a menos de 100km da capital, São Paulo. As amigas: Carla, Eduarda e Amanda, alugaram uma casa para passar o final de semana - queriam relaxar da tensa semana de provas que tiveram.
As fotos no anúncio vendiam um paraíso, mesmo naquele lugar remoto; um lago, jardim bem florido, natureza e ela... A casa de vidro!

São Bernardo do Campo
Sexta-feira 22/11/2019
Horário: 14:30h

- Carla, você sabe que são apenas dois dias que passaremos lá, não sabe? - Eduarda franziu o cenho ao ver o tanto de bagagem da amiga.
- Se não couber podemos deixar a Amanda! - as duas assentiram com a cabeça e riram alto.
- Por mim tudo bem, mas acho que sairia caro uma corrida de Uber pra onde vamos - deixa eu simular aqui; hum, corrida pro Cafundó dos Judas!? É acho que não vale a pena, não! - as três riram e se abraçaram.
- Não acredito que enfim a gente conseguiu um fim de semana só pra nós - falou Amanda.
- Também não acredito - disse Carla, enfiando a última bolsa no bagageiro do Honda Fit.

As moças pegaram a Rodovia Anchieta, a princípio livre, Amanda dirigia. Eduarda estava ao lado e Carla no banco de trás.
- Negativo, hoje eu mando no som.
Apertou o botão 1 do rádio: - tocava uma sofrência, ‘tão sofrência’ que era perigoso até o carro consumir mais álcool. - Hoje nãooo - disse a moça.
Botão 2: MPB - quem sabe num outro momento...
Botão 3: comerciais; 'vem pra xxxx você também' - só que não, brincou.
Botão 4: inusitadamente as três cantaram juntos o refrão da música “some que ele vem atrás” interpretada pelas cantoras Anitta e Marília Mendonça - se olhavam, cantaram alto e riram muito.
Amanda era negra de olhos vívidos, corpo atlético, um metro e setenta e seis. Seus cabelos cacheados era sua marca, nunca mudara. Moça bem resolvida, era promotora de eventos e cursava o último semestre de publicidade; inteligente e destemida.

Eduarda era carinhosamente chamada de faísca. Ruiva, era a mais baixinha de todas, era o combustível entre as três. Trabalhava em uma loja dentro do shopping Metrópole, em SBC, só não era a funcionária do mês, quando estava cansada da ‘honra ao mérito’, pois; com o seu jeito popular e desinibida, sempre vendia mais que todos os outros colegas. Tinha olhos castanhos amarronzados e umas poucas sardas no rosto, não era tão esguia quanto Amanda, ela mesmo brincava e dizia, até com o gesto dos críticos "eu estou sempre um pouquinho acima do peso ideal" como se houvesse um padrão - ela sempre desdenhava com um argumento muito sólido; “do jeito que sou consigo tudo que quero, se eu for do jeito que eles querem, quem irá conseguir tudo não sou eu, mas sim eles!” Ela era bolsista, entrara por um programa do governo, era, também, muito inteligente e faladeira.

Carla... Carla era quase uma patricinha dos filmes hollywoodianos, no sentido de aparência, só que moderna: Loira, rosto fino, altura média, gostava de maquiagem e compras, o jeito de se vestir era mais descolado, amava calçar adidas, short jeans e camisas estampadas em inglês contemporâneo. Outra diferença das patricinhas tradicionais; Carla era a veia humorística do ‘bando’ - como elas brincavam -, não perdia a piada e o bom humor. Estudava artes, mas nem ela sabia o porquê dessa escolha!

...

De Anitta à Marília Mendonça.
Ariana Grande e Charlie Brown Jr.
De Gustavo Lima a Post Malone.
Com Projota mudaram o tom.
Rolou uma bad com Lewis Capaldi
Com Vitor Kley 'adrenalizou'

No pedágio como era de praxe, Amanda - que dirigia e daria o dinheiro ao funcionário da cabine, já mandou logo o recado pra Eduarda e Carla:
- Meninas eu não sei o que iremos encontrar naquela cabine, mas comportem-se. – ela conhecia muito bem ‘as peças’.
A placa luminosa indicava o nome do funcionário: Felipe.
Um carro.
Dois.
Era a vez do Honda.
- Bom dia - o rapaz olhou para Amanda, mas não sorriu.
- Bom di... antes que terminasse de retribuir o cumprimento, o vidro de trás se abriu, era Carla.
- Bom dia, Felipe. Na verdade, belo dia, maravilhoso dia, Felipe. - riu e suspirou.
Eduarda, que não podia ser vista, riu baixinho e Amanda pediu desculpas ao moço.
- Não ligue ela não tomou o remédio hoje - deu uma piscadela para o funcionário, que lhe devolveu o troco, entre notas e moedas, aparentou gentileza, mas não escancarou um sorriso de volta.
Antes de ir Amanda perguntou se a saída 35 estava perto. O rapaz disse estar faltando uns 12 minutos:
- Mas vocês sabem que a saída 35 está desativada, não sabem? - está em obra. – Notificou!
- Como assim, desativada? - gelou a motorista.
- Mas o acesso pra casa de vidro é lá, não é meninas? – questionou, Carla, em voz alta.
- Vocês estão indo para a casa de vidro? - perguntou, Felipe!
- Sim, você conhece? - Amanda devolveu com outra pergunta.
- Conheço o bairro, mas nunca fiquei na casa, eu teria que trabalhar uns três meses pra poder ficar três dias lá - brincou pela primeira vez, o rapaz. - Façam assim, vão até a saída 36 e voltem por dentro até o local que procuram, mas cuidado que a estrada é de terra e pelo visto estão com muita bagagem - era visível como o carro estava baixo na parte de trás.
- Que nada, é só o peso da nossa amiga engraçadinha, não é mesmo, Carlaaa, - riram.
A cancela levantou.
O Honda seguiu.

Carla parecia uma criança com o tronco sobre o tampão do Honda, olhando pra trás.
Eduarda olhava sobre os ombros e Amanda acompanhava pelo retrovisor central. Assim foi até a cabine ficar bem pequena e sumir na vista. Não sabiam, mas Felipe fazia o mesmo, até ser 'acordado' com o barulho 'suave' de duas buzinadas - era o próximo carro a passar pelo pedágio.
- Acordaa, Felipe! Quatro colegas dele que iam para o trabalho - uma reforma na saída 35.
- Tá dormindo?
- Esse aí vive dormindo! – Intrigou o ‘Camisa Polo’ no banco de trás.
- Como sempre muito engraçado. - Felipe rebateu, encarando o Camisa Polo, olhando olho no olho.

Felipe tinha aproximadamente um metro e oitenta, cabelo em corte militar, era moreno de olhos marrom. Aparentava praticar exercícios físicos.
- E, então, quem são aquelas gatinhas, nós percebemos que elas estavam todas 'soltinhas' com você, são da região... do pedágio? - questionou o ‘Regata Azul’ que dirigia.
- Não conheço elas, estão indo pra casa de vidro.
- Casa de vidro? - pensou alto o Camisa Polo, - talvez nós façamos uma visitinha à elas, já que estamos reformando a 35, mesmo. - Fez uma cara maquiavélica.

No rádio do voyage preto, ano 2016, motor 1.8, tocava um 'modão' regravado pela dupla Cesar Minotti e Fabiano.
- Essa é pesada - com a mão no peito o passageiro dissimulou uma dor. - Bora, bora!
Seguiram.
Pelo vidro de trás, o Camisa Polo mostrava o dedo médio, insultando e provocando Felipe, que não podia reagir, por estar trabalhando.
Ainda deu pra ouvir o cantar de pneus da segunda marcha.
Sumiram.

...

A placa que indicava a saída 35 estava coberta com uma lona preta, rasgada, ainda permitia ser visto o número 5.
Passaram praticamente juntos, quando o Voyage ancorou, fritando pneu e buzinando para o Honda, que seguiria por mais 5km até um retorno pra acessar a 36 do outro lado da pista...
Se entreolharam rapidamente.
- Malucos! - Pensou alto, Amanda, enquanto Carla fazia uma filmagem no modo selfie, nela, era possível ver ao fundo o carro preto parando, um dos caras mandava beijo quase que com o corpo pra fora, no momento de um dos registros.

...

Saída 36.
A estrada era de terra, conforme falara Felipe.
O Honda que já é baixo, batia com o assoalho a todo momento nas pedras da estradinha. E ainda faltavam 3km mato adentro.
O rádio indicava que estavam próximas da casa - parara de funcionar, só chiava.
O celular já fazia tempo que não dava nenhum 'palitinho' sequer de sinal.
Havia uma pequena tensão no ar.
quando o carro praticamente parava para passar por algum buraco, era possível ouvir o canto da cigarra.
Dobraram mais duas esquinas.
Amanda pisou forte no freio.
Um cachorro cruzava a pista do nada. Bom, elas pensavam que era um cachorro. As três se assustaram.
Gelaram.
Mas logo em seguida gargalharam juntas.
À frente uma plaquinha de madeira talhada indicava com uma seta: "CASA DE VIDRO".
O problema é que a placa estava pendurada por apenas 1 prego, logo; a seta estava para baixo, fazendo com que as três moças inclinassem a cabeça para o lado, para lerem e em seguida olhassem para onde a seta indicava, ou seja; para baixo. - Riram novamente, afinal foi muito engraçado a sincronia delas.
Carla não perdeu a oportunidade e soltou:
- Pois bem garotas acho que nós chegamos. Estamos em cima da casa de vidro... cuidado para não furar os pneus. - Ela sabia o que viria pela frente... Amanda e Eduarda viraram imediatamente para trás e falaram:
- Nãoo, você não contou essa piadinha medíocre, Carla. - Riram novamente.
Eduarda apontou para a direita delas: - Acho que nós chegamos meninas.

Sim, lá estava ela, há alguns metros de distância: A CASA DE VIDRO.

- Parecem dois mundos distintos - indagou Amanda, já fora do carro. - Olhem essa entrada! Pela fresta da cerca puderam ver; um belo jardim, um caminho já desgastado por carros de possíveis hóspedes anteriores. Havia flores ao lado esquerdo da trilha de pedras, e uma horta muito bem cuidada do outro lado, o que indicava a presença constante de algum caseiro ou mesmo dos donos.
Bem à frente lá estava ela... por estarem há uns metros de distancia, o que viam fazia lembrar uma caixa de acrílico, só que grande, muito grande. Ainda não dava pra avistar a mobília, nem os fundos do terreno.
- Onde eles falaram que a chave estaria mesmo? - se perguntou Eduarda. - Ah lembrei:
"enfiar a mão por dentro da madeira direita que sustenta o portão, lá vai ter um pequeno buraco, bem discreto, com a chave. Apenas a chave do portão!" - Issoo, achei!
- De onde saiu essa pessoa? - Amanda brincou com Carla, a respeito da memória de Eduarda.
Voltaram pro Honda.
Entraram. Eduarda desceu, fechou o portão...
Seguiram até 'a caixa' bem devagar, apreciando a beleza.
A pequena caixa de vidro, então, ficara gigante diante dos olhos.
- Uau, Amiga você é demais, olha isso, ‘ouçam’ isso... silêncio! - Ahh, natureza, paz! - Carla agradecera Eduarda que fora quem organizou tudo!
- Humm, a chave do 'box gigante' - como ela passou a chamar a casa de vidro. – indagou, Carla. - Dudaaa, precisamos da sua cabeça vermelha - riu.
"Tateie a mão pela coluna arredondada de madeira que se encontra à direita da varanda, suavemente sinta o desnível do pequeno compartimento que contém as chaves, pressione o dedo até que 'a pequena gaveta' se abra por trás da coluna, expondo as chaves!". - E... simples, tcharann. - Parecia tão simples quando era ela quem resolvia esses enigmas.
Amanda e Carla arregalaram os olhos e aplaudiram - Fim de mais um mistério. Já estou amando nosso fim de semana. Mas vem cá, Duda, onde mesmo você disse que alugou essa casa enigmática e exótica? - perguntou, Amanda.
- Internet... site de hospedagem... deixa eu ver? Acho que o nome era passeiosemvolta.com.br hahahahah brincadeira, dei uma de Carla agora né haha. – Duda, brincou, como se falasse pra amiga, onde mais eu alugaria uma chácara, se não na internet.
- Não duvido desse site já que é tudo tão misterioso - Amanda simulou um fantasma e roubou a chave da amiga.
Malas e mais malas.
Quase todas eram de Carla.
Eduarda virou a chave e a porta se abriu.
Por fora não dava pra ver tanto, pois havia um efeito refletivo no vidro que limitava a visão de fora para dentro. Já ao contrário, a visão era perfeitamente clara e nítida.
Entraram!
O estilo era meio minimalista, com poucos móveis rústicos, sólidos e bem pesados – não pareciam combinar, em função da caixa aparentar modernidade, isso tornava tudo mais ‘diferente’ ainda.
A sala parecia ter uns dez por dez.
Umas poltronas próximas à lareira. Um sofá cor de vinho, desgastado e com uma manta – metodicamente - esticada, repousando num outro canto.
Uma estante alta e fina, mais parecia um obelisco, muito diferente, provavelmente para não encobrir muito a vista. Ela tinha dois nichos laterais e uns 20 nichos pra cima. Livros? Nenhum! Os nichos estavam tampados com um vidro fumê, cada. Todos os cômodos eram divididos por paredes de vidro, o mistério era o porquê de todas terem chaves!? O banheiro também, mas o vidro era fumê só se via de dentro para fora. Os quartos climatizados - sem lençóis ou cobertores...
As malas foram desfeitas, uma por vez, as garotas tomaram banho e decidiram dar uma volta na propriedade peculiar. Enquanto papeavam admiravam a beleza exótica do local, não acreditavam que estavam no ABC Paulista.
Um pássaro cortou o céu no momento em que Carla tirou mais uma selfie. Eduarda jogou uma pedrinha no lago, ela não quicou sequer uma vez - Pensei que fosse mais fácil. - falou com ar de riso. Amanda parecia estar com a pulga atrás da orelha. – vocês não acham estranho? - questionou a jovem mulher. - não tem vizinho, não tem comércio, não tem nada!
- Bom, tinha uma opção de chácara na rua 25 de março - SP, falei pra Duda pegar aquela - Carla tentou segurar o riso, mas não se conteve... Abraçou as amigas e fez um convite: - Que tal abrirmos a primeira garrafa de vinho do nosso ‘rolê’?
Voltaram imediatamente para o box gigante.
Entre um e outro preparativo para o vinho e 'jantar' o crepúsculo deu as caras. As luzes da casa de vidro fora se ambientando, conforme a escuridão se firmava na noite. Lá fora não se via um palmo além do nariz. E pela primeira vez pareciam ter sentido uma pontinha de medo. Parecia.
1 garrafa. Música baixa.
2 garrafas. Músicas um pouco mais alta
3 garrafas. 4... Música muito alta. Danças sem nexo. Palavras sem nexo.
E bem na pausa para o refrão da música foi possível ouvir Carla dizendo:
- agora seria muito bem vinda a ajuda do Felipe pra abrir essa garrafa.
- De quem? (Música alta)
- Felipe, o cara do pedágio! - Gritou.
- A, tá, eu não me lembrava do nome dele – brincou, Eduarda, logo ela que tem ‘memória de elefante’.
...
Lá fora, somente a escuridão.
Nenhum som.
O oposto da parte de dentro do box gigante.
Falaram um bocado de besteiras, cantaram bastante.
Dormiram.
Todas jagadas.
Nem ouviram quando bateram na porta. Ou quando jogaram algo no vidro, tentando quebrá-lo para invadirem a casa.
Elas - por causa do vinho - apagaram!
Eles - por alguma razão - desistiram!

...

Sábado, manhã seguinte ao porre de vinho.
- Ai... minha cabeça, ainda está tudo rodando. – reclamou, Eduarda.
Carla ainda dormia enquanto Amanda brigava com a luz que parecia entrar por todos os lados.
- Meu Deus, olhem isso, trincamos o vidro! - Duda pensava que havia sido elas quem fizera aquilo.
- Não me lembro de nada, estranho, já bebi bem mais que isso - indagou Amanda.
Se reuniram à mesa para tomarem café, era quase meio dia. Arrumaram a bagunça e quando Amanda foi para abrir uma das portas que dava acesso a um jardim lateral, a surpresa; a porta não abria.
Girou a maçaneta novamente, nada. - meninas essa porta emperrou. Tentaram outras...
- Estranho a dos fundos também não abre - Carla acabara de tentar e fora surpreendida.
- Meninas péssima notícia; nenhuma porta está abrindo - falou Eduarda com ar de preocupação.
Amanda que já estava há um tempinho com algum receio, foi até a porta central e observou a avaria no vidro. Suavemente tocou o local, estava liso, intacto por dentro. Alguém do lado de fora fizera aquele estrago.
- Meninas não fomos nós.
- Não fomos nós o quê?
- Não fomos nós quem 'quebrou' o vidro, vejam, é por fora. – Amanda, mostrou para elas.
- Merda. Droga. O que está acontecendo aqui? - Carla abandonou o senso de humor e foi tomada pelo pânico.
- acalmem-se meninas vamos pensar... - disse Amanda que pareceu sempre ser a mais preparada pra liderar.
A casa fora projetada para que quem quer que fosse o hóspede, nunca, jamais saísse com vida. E isso elas ainda não tinham certeza.
Quando perceberam que estavam presas na caixa de vidro, veio o desespero máximo, o ápice do pânico.
Gritos e mais gritos dentro do Box gigante.
Pegavam tudo que podiam e batiam nas paredes de vidro. Os móveis grandes, elas perceberam que eram fixos ao chão...
Lá fora; silêncio.
Paz.
Sol.
Lá dentro; gritos, raiva e medo.

Cansadas de tentar quebrar os vidros, procuraram na casa misteriosa alguma passagem secreta, algum dispositivo que abrisse as portas, enfim, nada. Sem sucesso. E para piorar, Eduarda, ao descobrir uma espécie de botão, entrou em choque ao ver surgir no ‘obelisco’ cheio de nichos fechados, cabeças humanas, femininas, empalhadas.
Gritou o máximo que pôde, caiu.
Desmaiou.
Amanda veio correndo de um dos quartos e não acreditava na cena, Duda paralisou, chorou. Quis se entregar.
O tempo passou e nada. Ninguém aparecia, as portas não se abriam. Nada!
E pra piorar a segunda noite chegou!



CONTO: A CASA DE VIDRO – PARTE II (VISITA INDESEJADA)

Em meio à escuridão, lá fora puderam ver duas luzes simétricas. Elas gritaram por socorro. Em certo momento até respiraram aliviadas, pensavam ser o resgate. As luzes eram o farol de um carro. Sim, era o Voyage preto. E dele desceram 4 homens. De longe as moças ainda não compreendiam e continuavam acenando por socorro.
Chegaram mais perto.
Um pouco mais.
Dois homens 'de cara limpa' dissimularam prestar ajuda. Fingiram muito bem. Faziam gestos que parecia perguntar pela chave ou por algo do tipo
"o que está acontecendo ai?"
A farsa não duraria nem mais um minuto sequer. Por de trás dos dois homens, surgiu outro, troncudo, com um lenço no rosto até a base dos olhos. Este era 'Camisa Polo' e se apresentou dando uma tremenda marretada no vidro. A parede incolor tremeu
[...]
continua em:
Data da publicação: Sexta-feira 31/07/2020


Por: Anderson Horizonte
Instagram: @andersonhorizonte_escritor / @anderson_horizonte
Site do escritor: www.andersonhorizonte.com
 
Anderson Horizonte
Enviado por Anderson Horizonte em 24/07/2020
Alterado em 15/04/2021
Comentários