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Anderson Horizonte
"Não é o que você acredita. É o que você faz!"
Textos
*imagem da internet


A CASA DE VIDRO – PARTE II (VISITA INDESEJADA)

Sinopse
As amigas: Carla, Eduarda e Amanda, alugaram uma casa no limite de município de São Bernardo do Campo - SP com Cubatão – SP, para passar o final de semana - queriam relaxar da tensa semana de provas que tiveram.
As fotos no anúncio ‘vendiam' um paraíso, mesmo naquele lugar remoto; um lago, jardim bem florido, silêncio, tranquilidade, natureza e ela... A casa de vidro! Tudo ia muito bem até que um bando – mascarado - decide se juntar aos hospedes da casa, tentando invadi-la a todo custo, então... lutar pela vida passou a ser a nova prioridade do grupo de amigas.
Elas voltarão para casa vivas?
A casa de vidro resistirá às ‘insanas’ investidas do bando mascarado?

O conto A CASA DE VIDRO foi dividido em 3 partes:

A CASA DE VIDRO – PARTE I (PÉ NA ESTRADA)
A CASA DE VIDRO – PARTE II (VISITA INDESEJADA)
A CASA DE VIDRO – FINAL (VERMELHO ESCARLATE)

Sendo publicada uma parte por semana:
Sexta-feira 24/07/2020
Sexta-feira 31/07/2020
Sexta-feira 07/08/2020



continuação
A CASA DE VIDRO – PARTE II (VISITA INDESEJADA)

Em meio à escuridão, lá fora puderam ver duas luzes simétricas. Elas gritaram por socorro. Em certo momento até respiraram aliviadas, pensavam ser o resgate. As luzes eram o farol de um carro. Sim, era o Voyage preto. E dele desceram 4 homens. De longe as moças ainda não compreendiam e continuavam acenando por socorro.
Chegaram mais perto.
Um pouco mais.
Dois homens 'de cara limpa' dissimularam prestar ajuda. Fingiram muito bem. Faziam gestos que parecia perguntar pela chave ou por algo do tipo
"o que está acontecendo ai?"
A farsa não duraria nem mais um minuto sequer. Por de trás dos dois homens, surgiu outro, troncudo, com um lenço no rosto até a base dos olhos. Este era 'Camisa Polo' e se apresentou dando uma tremenda marretada no vidro. A parede incolor tremeu.
Vibrou.
Trincou.
Mas não cedeu.
Logo atrás mais um homem, esse, mascarado por completo; num clichê hollywoodiano ele surgiu com uma mascara de palhaço e encostou-se ao vidro. Movimentos calculados. Tudo muito devagar... Sacou a arma e simulou um tiro em cada uma – este era ‘Coringa’.
Eles riram. Gargalharam.
Os dois sem mascaras bebiam uísque, no gargalo.
- Quem são esses caras?
- Meu Deus, vamos morrer!
- Socorro, socorro!
Tentaram o celular novamente. Nada. Simplesmente parecia não haver o que fazer. Apenas torcer para que; sei lá, a polícia, algum vizinho... alguém aparecesse.
Carla pensou alto "acho que sei quem são esses caras". Pegou o celular, procurou a selfie.
Deu zoom.
Reconheceu justamente o líder ou um dos líderes. O Camisa Polo, que se projetara pra fora do carro pra mandar beijo. Mesmo com o lenço dava pra reconhecê-lo.
- Meninas, vejam, são os caras da saída 35. Acho que não vieram pra ajudar. - Concluiu a jovem.
- Nós vamos sair dessa, meninas. - Amanda era cada vez mais a líder do grupo.
- Meu Deus nos ajudeee! - Duda estava em pânico.
Ficaram no meio da ‘Caixa’. Uma de costas pra outra, sentadas, em posição privilegiada para vigiar todos os ângulos. Carla percebeu no zoom que só havia três homens. Mas diante delas havia quatro.
Pensaram. Pensaram.
- Drogaaaa. Merdaaa. – Carla xingou. - tá na cara quem é o mascarado, só pode ser ele... Felipe!!!
- Drogaaa.
- Ele ouviu que nós estávamos vindo pra cá e ainda nos orientou sobre as obras na saida 35. – Merdaaa, covardeee! - Duda estava furiosa.
- Só pode ser, é o único que está de mascara! Covardeee! - Amanda apoiou as amigas.

Os funcionários baderneiros tacavam pedras, objetos, tudo que viam pela frente. Estavam todos alcoolizados, drogados... coisas desse tipo. Diziam coisas que obviamente não dava pra serem ouvidas do lado de dentro. As meninas se olhavam desacreditadas, estavam abatidas, tristes, desoladas, em choque... apavoradas!
O líder, Camisa Polo, começou a organizar o bando que parecia ter compreendido muito bem; subiram para o carro...
Carla gritava e chorava,
Duda tremia, parecia não acreditar.
Amanda, mesmo com muito medo tentava sinal nos celulares, procurava, mesmo que sem noção algo que pudesse salvá-las.
As duas luzes foram ficando maiores, maiores e maiores.
De repente o barulho.
A pancada.
O estrondo!
Os malucos jogaram o carro contra a casa de vidro. Iriam invadir a todo custo. O impacto só não fora maior por causa do terreno que era irregular; grama, mato, pedras e outros obstáculos... tudo isso diminuíra a velocidade do veículo.
Barulho.
Gritos.
Escuridão!

...

O sistema elétrico da casa fora danificado com a pancada. A luz piscou uma vez.
Duas.
Mais uma...
Explosão!
Dessa vez, elétrica. Tudo muito rápido.
Escuridão e caos.
Um dos homens morreu na hora.
- Idiota, nem o cinto colocou. Menos um para a festa - Camisa Polo, ao iluminar com a lanterna, viu o comparsa com a cara cheia de sangue e o pescoço quebrado.
O outro estava meio apagado, com um braço cheio de cortes e a cara sangrando.
- Idiotas - reafirmou o líder.
Coringa iluminou o local da colisão imaginando já poder entrar na casa de vidro. Ainda não seria possível, o carro ficou embicado, e, também, preso às fibras resinosas da substância que fazia do vidro, resistente à projétil. O mascarado jogou o defunto no chão, pisou nele, entrou no carro e deu partida.
Nada.
Girou a chave de novo e nada.
Foi o tempo para as garotas correrem para um dos quartos e se trancarem. Antes, porém, Amanda foi até a cozinha e buscou algumas 'armas'.
A cozinha era bem ao lado do local da colisão, só o que separavam eles era o capô do carro embicado casa adentro.
Para completar o terror das garotas, Camisa Polo ficou estático, fitou Amanda com os olhos, ela, com muito medo, passou suavemente ao ‘lado’ dele. Em lados opostos do vidro. Em um dado momento estavam por um palmo de distância um do outro.
Suspense.
Olhos nos olhos.
Ela passou!
Pegou facas, tudo que achava servir de defesa ou ataque...
Nenhum movimento de Camisa Polo.
Mais um passo de Amanda e ela estaria novamente cara a cara com o inimigo, a moça suava frio, estava agitada, tremula. No exato momento que os corpos se alinharam, separados pelo vidro, Camisa Polo girou com o cabo da marreta e golpeou a parede incolor com tanta força, que a marreta descansou num buraco que fizera. Com o susto imenso, Amanda gritou.
Gelou.
Com sua mão, ele simulou cortar o pescoço dela, num gesto que indicava a ameaça iminente de morte. Ela correu e se juntou às meninas no quarto.
A iluminação interna era só dos celulares das moças.
Externa; só das lanternas dos homens violentos.
Choro. Grito...
Pânico.
Ameaças. Baderna... Álcool, muita bebida alcoólica.
O kamikaze que estava dentro do carro acordou. Estava de volta ao jogo. Ajudou a tirar o carro que obstruía o acesso.
Retiraram o veículo.
Estavam prestes a entrar.
Entraram!
O kamikaze foi igual um búfalo na savana Africana pra cima da parede de vidro, do quarto.
Chocou-se com o vidro, de cabeça.
Barulho. Estilhaços.
Gritos.
A escuridão dançava sob os feixes de luz vindo dos smartphones, eram disparados pra todos os lados, numa sinfonia de desespero.
O cara parecia uma máquina.
Parecia ser indestrutível.
Caído ao chão foi se levantando aos trancos e barrancos.
- Ilumina a porta, ilumina agora - berrou Eduarda. - cadê ele, cadê? Meu Deus vamos morrer. - Completou.
Uma, duas, três facadas.
Gritos de socorro.
Não, o kamikaze não era indestrutível.
Cuspiu sangue.
Uma, duas vezes. Se afogou no veículo cor escarlate.
A última facada acertou o pescoço, Amanda estava tomada pelo medo e pela adrenalina. Ela usou tanta força, que, quando a luz do celular encontrou o kamikaze, viram que a faca atravessou o pescoço dele, rompendo artérias e tecidos.
Ela puxou de volta.
Mais sangue.
Kamikaze cuspiu sangue, agora, pela última vez. O resto saia pelo rasgo no pescoço.
Ele caiu. Morreu nos pés de Carla.
Ela gritou - nós matamos ele, nós matamos ele, meu Deus...
- Ele veio para nos matar, ou melhor eles vieram nos matar. - Rebateu Amanda. - eles sabem muito bem o que querem se é que não querem algo mais. - tome essa faca, Carla. Ela recusou. - Tome logo, Carla, você quer morrer ou tentar viver? - Amanda tentou encorajar a amiga.
Tiros.
Um. Dois... cinco.
Camisa Polo entrou na casa de vidro.

...

Um dos disparos encontrou Duda, que estava na frente de Amanda, ouviu-se um barulho seco naquela escuridão, era o corpo de Eduarda batendo no chão. Um tiro acertou, também, Amanda, só que no ombro.
Camisa Polo tropeçou, a lanterna rolou, parou no corpo do kamikaze. O Algoz das meninas tateou o chão escuro a procura da arma, que também escapou de sua mão na hora do tombo.
Carla iluminou o corpo da amiga, Duda estava com a cabeça rasgada – a bala atingiu o lobo temporal da moça.
Gritos.
Desespero.
– Duda, levantaaa, acordaaa, Duda, por favor, fala comigooo! – Carla não podia crer que a amiga, tão nova e cheia de vida tinha morrido. – Amandaaa, cadê você? – em prantos, Carla chamava pela amiga. Iluminou com o celular e ao invés de achar Amanda, encontrou a arma. Tremula e fora de si, achou coragem para fazer um disparo aleatório.
O estampido foi ouvido. A bala disparada as escura acertou uma luminária que caiu ao lado do Camisa Polo. Foi o suficiente para que ele recuasse um pouco. Em compensação o Coringa entrava em ação.
Na adrenalina ele iluminou um canto, viu alguém, atirou três vezes. Os tiros foram certeiros; um tiro na coxa e outros dois na cabeça.
Desperdício.
O Coringa acertou o kamikaze, que já havia morrido.
- Merdaaa – falou baixo e com a voz abafada.
Não se sabe por qual razão, mas o ‘Joker’ só tinha mais duas balas.
Carla encontrou Amanda num cantinho, havia desmaiado com o tiro que tomou na articulação do ombro. Abraçou a amiga e em prantos lhe entregou a arma.
- Mataram a Duda, mataram a Duda. - a moça estava desesperada.
Amanda juntou forças, ficou sentada atrás da base de vidro da cama, com a arma na mão.
Dor. Muita dor.
- Ilumina a meia altura - com muita dor, pediu pra amiga.
Disparou no escuro. Era só pra mostrar que não iriam se entregar.
- Ilumina o chão. – pediu pra amiga. Acharam a lanterna do Camisa Polo. - ali, pega, Carla, a lanterna grande. - Em lágrimas, pediu pra puxar o corpo da amiga Eduarda.
Do outro lado da casa, Camisa Polo já estava ao lado de Coringa:
- Não adianta se esconder, eu sei muito bem onde as três estão - arremeçou um jarro, que colidiu com outra parede, mais distante. Ainda sob um pouco de álcool não percebeu que deu um tiro certeiro em uma, e feriu a outra.
- que tal se esquecêssemos de tudo isso e nos conhecermos melhor? - somos três e vocês também, o que acham meninas? - tentou barganhar, Camisa polo, com uma voz que denunciava, ainda, um pouco da bebida. Continuou falando...
- Carla puxe qualquer pano q achar e dê um laço no meu ombro – antes, ela mordeu uma parte de uma camisa - imaginando a dor que sentiria.
Carla torceu o tecido.
Amanda gritou! Um grito abafado – aaarggg!
Dor. Muita dor.
Do outro lado; Coringa tramava alguma coisa com Camisa Polo.
- Carla faça o mesmo com a cabeça da Duda, aperte um pano bem forte.
Nesse momento praticamente tudo era feito as cegas. Em um ou outro intervalo de tempo soltavam um pequeno feixe de luz, que lhes pareciam garantir 'segurança'.
- Me da o seu celular.
- Não, é nossa garantia de pegarem esses caras, se sairmos daqui - Carla, retrucou.
- Você disse tudo ‘se’ sairmos daqui. Confie em mim, tenho um plano. - Disse Amanda. Não chegava a ser um plano completo, mas era o início de um.
- Fique com a Duda e com a faca. Aconteça o que acontecer lute, por você.
Por nós. Por ela!
...
Rastejou até perto da sala, pressionou o dedo sobre a câmera do celular. Ligou a lanterna.
Tudo escuro. Nenhum sinal de luz.
Tirou o dedo... Jogou o celular, deixando-o deslizar no chão – com um ‘rastro’ de claridade em disparada. Dentro do contexto de escuridão; adrenalina e terror, parecia mesmo que era uma das moças correndo.
Um tiro na direção do aparelho.
Amanda soltou um pequeno barulho de dor. Coincidiu com o disparo. Fez passar-se por um tiro certeiro.
Camisa Polo foi por um lado e o Coringa por outro.
Caíram na armadilha.
E quando um deles ligou a lanterna, Amanda atirou uma vez.
Com o som do tiro, Coringa revidou imediatamente. Dois tiros em direções próximas.
Então, de cada lado um gemido de dor.
O tiro de Amanda acertou de raspão o braço do Coringa. Enquanto este, assustado, acertou um tiro em alguém que não ‘estava em cena, no momento’. Carla.
Carla levou um tiro nas costas. O outro disparo do Coringa foi aleatório. Não achou um corpo pra descansar
- Merdaaa - a voz era abafada. Sem balas o canalha correu! Sumiu!
Sumiram.
Carla gritou de dor. Caiu sob o corpo da amiga Eduarda.
Amanda estava exausta. Acabada. Mesmo assim não se entregava.
Silêncio.
Mais silêncio.
Ainda havia uma bala no revolver de Amanda e Camisa Polo sabia disso.
Barulho de metais na cozinha.
‘Faca. Alguém pegou uma faca. Mas quem?’ – Amanda pensou alto. Ela lutava pra não desfalecer, por causa do sangramento.
Camisa Polo?
O Coringa?
Os dois?
Ela rastejou até o quarto. Sussurrou:
- Carla? Carlaaa? Tateou com a mão, encontrou o corpo da amiga sem movimento.
Choro. Mais choro.
Raiva... Ódio!
Pensou em se matar, pra não dar o gosto aos miseráveis. Mas não. Ela era mulher de fibra. Mulher guerreira e lutaria pela vida assim como as amigas lutaram.
Apurou os ouvidos... Ouviu passadas.
Camisa Polo se escondeu. ‘Jogou’ um lampejo de luz. Iluminou até achar Amanda. Achou.
Apagou a lanterna.
Mais passos no escuro. Mais um clarão intermitente...
Iluminou rapidamente, olhou... apagou!
Mais passos.
Silêncio.
A princípio era ele contra ela. Camisa Polo contra Amanda. Coringa parecia ter caído na real, aproveitando-se de sua face oculta... caiu fora. estava ferido... talvez tenha temido por sua vida pela primeira vez... talvez!
Escuridão.
Um gemido ‘contido’.
Camisa Polo saltou.
Saltou com a faca empunhada, no escuro. Era tudo ou nada.
Amanda gritou.
Gemeu.
Com o choque e com o pânico os músculos da moça se atrofiaram.
Um disparo.
Agora; o gemido era mais denso.
Ela, involuntariamente, acertara um tiro no diafragma daquele monstro, a bala queimou seus órgãos e dormiu no coração do psicopata.
Se é que ele tinha um coração.
Assim, metais de diferentes formas, ligas e sustâncias, repousavam dentro dos corpos.

Na faca; o aço inoxidável gelava as entranhas da moça.

No projétil; o chumbo queimava os órgãos vitais daquele crápula nojento.

Era o fim.

Camisa Polo não faria mal a mais nenhuma mulher.
Mas, infelizmente a um preço muito alto; Amanda não resistira.

Morreu lutando.

E, lutando pela vida, a moça morreu!

...

Trilhas de sangue foram ganhando curvas.
Poças vermelhas se formando.
A noite parecia não ter fim.
Lá fora; grilos faziam barulhos intermitentemente:
Barulho.
Silêncio.
Barulho.
Silêncio...
Carla ameaçou acordar, rolou para o lado, gemeu e sussurrou, fechou os olhos novamente...

Escuridão.



A CASA DE VIDRO – FINAL (VERMELHO ESCARLATE)

O sol deu bom dia aos corpos.
Era Domingo.
6:00... 7:00h
O relógio marcava 7:10h quando o corpo de Carla começou querer reagir.
Abriu um olho bem devagar, sua pálpebra parecia pesar uma tonelada - estava toda suja de sangue, teve dificuldade de enxergar. Ainda não conseguia se mover direito.

Pois é, sabe aquele lance do assassino sempre voltar à cena do crime? Então, às vezes acontece mesmo, às vezes...

Domingo 7:30h.
[...]
continua em:
Data da publicação: sexta-feira 07/08/2020


Por: Anderson Horizonte
Instagram: @andersonhorizonte_escritor / @anderson_horizonte
Site do escritor: www.andersonhorizonte.com
 
Anderson Horizonte
Enviado por Anderson Horizonte em 31/07/2020
Alterado em 15/04/2021
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