Anderson Horizonte
"Não é o que você acredita. É o que você faz!"
Textos

2100 d.C.

MINICONTO-poético: 2100 d.C.

 

Prólogo

Minutos antes de entenderem que aquele seria o último instante dos dois.

 

“Essa é a nossa frase [...] nesse plano! Então, será, também, o elo que irá nos conectar na outra vida”.

Tendo dito isso seus dedos se tocaram suavemente, numa química além da compreensão humana, então, deixaram de existir, levaram com eles o mais singelo dos amores, as canções e as danças, a ajuda com o nó da gravata, e o ajuste, o aperto no final da trança.

Ah, mas eles tinham “aquela frase” caso precisassem e, uma nova chance lhes fosse concedida.

 

 

2100 d.C.

Por não conhecerem o impossível, sem saber que, este, era “possível”, marcaram de ser ver numa próxima vida. “Se é que há de ter”. Pois é, alguém bem maior que a gente, lá de cima, mais acima que o Norte, chacoalhou bem o pote com os ‘nomes da sorte’... E estes teriam mais uma próxima vida [...]

Assim, chegaram lá, sem, nada, entender. Num encontro que nem sabiam que iriam ter, acho que ele era garçom e ela, de vestido marrom; na mesa esperava seu chá, sentada a ler. Mas como conectar pontos se nem sabem se estão prontos ou mesmo a ponto de “se conhecer” ou “reconhecer”?

Em outro Plano ensaiaram uma fala a dizer, se um dia aquele encontro, realmente, fosse acontecer. Tinham “o melhor plano” para saber que “eram eles, novamente, a se ver”. É, só não contavam com um detalhe: “a formatação de seu HD”.

Pois é, lá estavam eles, frente a frente, mas - ainda - sem entender, sem saber o que fazer... numa nova chance que chegou em 2100 d.C.

FIM.

 

 

Epílogo

Minutos antes do chá esfriar, e mais um capítulo do livro terminar:

 

- Então, sopramos ou não a frase mágica dos dois para que um ou outro “acorde”? – Indagou alguém lá de cima... bem mais acima que o Norte.

- É, acho que podemos ‘tirar o dia de folga’, pelo viso não vão precisar de nós, hoje. Acho que acabam de “desatar os nós” – disse outro ser de luz.

Lá embaixo, timidamente, trocaram olhares, e, sem querer, um toque suave parece ter feito muito bem o papel da frase que fora “esquecida na folha etérea”... pois é, como é que pode, pelo visto pele com pele, mesmo em outro plano, ainda parece ser o ‘elo mais forte’.

 

 

*MINICONTO-poético é um estilo próprio. Tem as características do Conto - com início, meio e fim (em alguns até 'brinco' com prólogo e epílogo) - e, por conter uma estrutura com rimas, pode ser lido como prosa poética.

 

 

Por Anderson Horizonte – autor de “Rios de lembranças” e “Amores Engavetados”

www.andersonhorizonte.com / @andersonhorizonte_escritor

 

Anderson Horizonte
Enviado por Anderson Horizonte em 09/10/2025
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