Desconectar para se conectar
Eu quero, dos dias que já se foram, a “desnecessidade” do mostrar.
Eu quero, dos dias que já se foram, a “desobrigação” do exibir.
Eu quero, dos dias que já se foram, a “deslocalização” do falar que estou aqui.
Mas eu não quero os dias que já se foram. Eu quero o hoje!
Mas o quero sem os “recortes”, sem ser notícias para os “repórteres” do exigir.
Eu quero escolher o meu destino e, para ele ir viajar.
Eu quero escolher o meu sonho ao se deitar e levantar.
Eu quero escolher a minha roupa, sem necessário na moda estar.
Eu quero escolher meu prato, onde comer, e, me fartar.
Eu quero o “desconectar para se conectar” com o essencial do existir.
E o essencial nada mais é “o que é palpável e se olhar para o lado... está ali”.
Então, o desconectar pode ser, para alguns, o tempo que lhe tomaram... O verdadeiro elixir.
P.S.: Entender que “a torneira do tempo” pode estar vazando e você desperdiçando essa “água da vida” é fundamental. Os dias atuais foram abreviados. Tem-se pouco tempo hoje em dia. Alguns, menos tempo ainda, dada a rotina, as circunstâncias ou mesmo a saúde. É sensato então “comprarmos tempo” e isso é pessoal, cada um sabe “qual torneira fechar”. Fato é que ao valorizarmos mais nosso tempo a vida tende a ser melhor apreciada, vivida e desfrutada.
Nota do autor
Nessa construção poética, caro leitor, cabe uma leve ironia social, mas sem agressividade: é um convite, não uma denúncia. O poema critica pela quietude. O presente não é uma prisão, mas um campo de escolha — desde que desintoxicado dos “recortes” e da espetacularização cotidiana. Ser dono do tempo é libertador, então: "Carpe Diem".
Por Anderson Horizonte, autor do romance "Rios de lembranças" e da coletânea poética "Amores Engavetados"
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