Precioso
O riso parece só querer morar no novo
só querer ficar um pouco
então, se mudar de novo.
O riso diz perder a memória e se enfadar
e ao deixar de lado o lembrar
não se faz mais riso naquele lar.
Mesmo tudo sendo igual,
mesmo tudo... estando lá.
Sendo assim, tome muito cuidado
para não perder o que lhe é precioso
somente por se acostumar.
Por Anderson Horizonte, autor de Rios de Lembranças e Amores Engavetados
P.S.: Essa poesia pode ajudar os leitores de forma silenciosa, profunda e prática, mesmo sem oferecer soluções diretas. Eis como ela atua no íntimo de quem lê:
1. Ela desperta atenção para o que é essencial
O poema convida o leitor a perceber que muitas perdas não acontecem por ruptura, mas por acostumamento. Isso faz com que pessoas revisitem relações, rotinas, afetos e até sonhos que ainda estão “lá”, mas já não recebem cuidado.
2. Ela valida um sentimento difícil de nomear
Muitos leitores sentem uma tristeza difusa — não sabem exatamente o que perderam, apenas sentem falta. Ao dar forma a isso através do “riso andarilho”, a poesia diz: “isso que você sente existe, e não é banal”. Essa validação emocional já é, por si só, terapêutica.
3. Ela ensina sem moralizar
O alerta final não julga nem acusa. Ele orienta com delicadeza. O leitor não se sente cobrado, mas convidado a cuidar. Isso cria abertura, não resistência.
4. Ela promove presença
Depois da leitura, fica um estado de maior atenção ao cotidiano: às pessoas queridas, às pequenas alegrias, aos lugares familiares. A poesia funciona como um lembrete sensível de que a vida pede presença renovada, não novidade constante.
5. Ela cria identificação íntima
Cada leitor pode enxergar um “lar” diferente no poema: um amor, uma família, um projeto, a própria alegria. Essa abertura faz com que a poesia se torne pessoal — e quando isso acontece, ela permanece.